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ENSINO

Alunos promovem Semana Cultural como encerramento das atividades do PCC

Criado: Segunda, 07 de Agosto de 2017, 14h28 | Última atualização em Terça, 08 de Agosto de 2017, 15h48

Apresentações musical e teatral e atividades com dicas de práticas que auxiliam o ensino foram realizadas na semana

imagem sem descrição.

Aconteceu na última semana, do dia 31 de julho ao dia 04 de agosto, a Semana Cultural das PCCs 1 e 2 – eixos Educação e Cultura e Educação e Sociedade. O evento foi organizado e promovido pelos alunos do 1º e 2º período do curso superior de Licenciatura em Pedagogia com a orientação e supervisão dos professores Alessandro da Costa, Catarina Malheiros da Silva e Fernanda Veloso Lima. As PCCs – Práticas como Componente Curricular – devem ser oferecidas em todos os cursos do IFG de acordo com a Resolução Nº 013, de 02 de junho de 2014 e com a Resolução CNE/CP2 de 19 de fevereiro de 2002 do MEC. No curso superior de Licenciatura em Pedagogia do IFG Câmpus Goiânia Oeste, as PCCs são ofertadas desde o início do curso, a partir do primeiro período. A Semana Cultural das PCCs 1 e 2 ocorreu como encerramento das atividades do semestre para os alunos compartilharem com os outros discentes do câmpus o conhecimento adquirido durante as práticas.

“Montamos a programação da Semana Cultural das PCCs 1 e 2 baseada na vivência que tivemos no semestre. Nosso intuito foi de ressignificar o espaço escolar como um lugar de diversidades e práticas educacionais para transformação social conforme aprendemos”, afirmou Pâmella Fernandes Araújo, aluna do primeiro período do curso superior de Licenciatura em Pedagogia. “Não adianta termos um lugar com toda a estrutura, se não tivermos ações que trazem vida para o espaço, ele é um espaço morto. E a educação pressupõe a ação, a intervenção, a criatividade, então nossa ideia foi despontar os alunos para o fazer, por isso 'jogamos a bola para eles', demos autonomia para planejarem e produzirem as atividades”, explicou o professor da PCC 1, Alessandro da Costa.

Na segunda-feira, dia 31 de julho os alunos iniciaram a semana com a encenação de uma experiência que tiveram durante as atividades da PCC. Na terça, quarta e quinta-feira – dias 01, 02 e 03 de agosto – foram realizadas dicas de práticas de ensino com atividades com balões, trabalhos com E.V.A. e orientações para contação de histórias. Na sexta-feira, dia 04, os alunos encerram a semana em uma apresentação musical em que todos subiram ao palco do auditório externo do câmpus e cantaram a capela para os outros discentes. “A encenação teatral partiu da experiência que tivemos em uma atividade realizada no Bosque dos Buritis. Levamos os alunos ao bosque porque queríamos que eles observassem os grupos que existiam naquele espaço, a territorialidade entre eles, os espaços que se agregavam e não se misturavam. Porém, antes de iniciar a atividade, estávamos lanchando e os alunos repararam que haviam mendigos no parque nos observando enquanto comíamos, estávamos em plena atividade prática de antropologia, educação e cultura e nos deparamos com essa situação e os alunos nos disseram ‘olha professora, nos estamos aqui coletivamente e nem reparamos que têm pessoas sozinhas passando fome’. Então eles resolveram pegar o lanche que havíamos levado e distribuir para essas pessoas, eles viram essa situação e tiveram essa iniciativa. O objetivo do nosso curso é a formação de educadores sociais, por isso ficamos muito satisfeitos com essa iniciativa deles, dessa observação etnográfica como um educador social que observa o outro e percebe o outro.Dai surgiu a primeira ideia, de fazer na hora do intervalo, enquanto todos tivessem comendo, uma encenação da experiência que eles vivenciaram, e então começaram a brotar novas ideias”, contou Fernanda Veloso Lima, professora do PCC 2.

Helen de Souza Costa, aluna do segundo período do curso superior de Licenciatura em Pedagogia, que ministrou a atividade com balões na terça-feira junto com mais duas colegas de turma, relatou como as práticas foram escolhidas: “Aprendemos no PCC que se utilizarmos os espaços públicos promovendo ações, compartilhando conhecimentos, modificamos este espaço. Então decidimos fazer as intervenções com práticas de ensino para compartilhar conhecimento e interagir com os outros alunos do câmpus. Para definir o cronograma das dicas práticas – chamamos de dicas e não de oficinas pelo pouco tempo que tivemos, apenas o intervalo – buscamos a habilidade e o conhecimento que cada um tinha e que poderia compartilhar. O interessante é que antes de compartilhar meu conhecimento aqui hoje, ensinei antes as minhas colegas do PCC para elas me ajudarem, o mesmo aconteceu com as outras práticas, uma pessoa que domina o assunto passou para outras pessoas do grupo para juntos passarmos para o restante do câmpus. Essa troca de conhecimento começou entre a gente primeiro para depois passarmos para os outros alunos”.

Durante toda a semana ficou exposta uma mostra fotográfica feita pelos alunos das atividades realizadas durante as PCCs. Os discentes fizeram também uma campanha de arrecadação de tampas plásticas que serão entregues ao Museu de Arte de Goiânia (MAG) que vende as tampas e com o valor arrecadado compra cadeiras de rodas para instituições filantrópicas em Goiânia. “A ideia da arrecadação das tampinhas pets nos trouxemos da exposição que visitamos no Museu de Arte de Goiânia no Bosque dos Buritis. Como achamos a campanha muito interessante, abraçamos a causa e trouxemos para o câmpus. Íamos deixar só durante essa semana, mas devido a importância da iniciativa, decidimos deixar a campanha durante todo o ano”, contou Pâmella Fernandes Araújo, aluna do primeiro período do curso superior de Licenciatura em Pedagogia.

Observação etnográfica
Alessandro da Costa, professor da PCC 1 explicou como as atividades entre as turmas aconteceram de forma integrada: “A professora Catarina iniciou a PCC a partir das concepções de Carlos Brandão e Paulo Freire sobre os espaços formais e não formais e como integrarmos estes espaços. Porque a realidade da escola não é uma realidade isolada, nós não estamos em um lugar fechado em que apenas colocamos conceitos sem pensar na complexidade da sociedade, e a sociedade não são apenas os espaços, são as pessoas interagindo. A professora Fernanda agregou aos conceitos de educação as ideias da antropologia, e dai partiu a ideia de visitarmos a escola, o que acontece além da sala de aula, porque a sala de aula é uma das possibilidades, na convivência entre os alunos há educação também. Nossa discussão partiu da concepção da estética como conhecimento através da percepção, por isso propomos exercícios para tentar entender o que é o espaço e o tempo. Falamos em espaço da escola, espaço da praça, mas espaço é uma coisa abstrata, se não delimitarmos o espaço, ele fica vazio, se nós não delimitarmos o tempo com as nossas ações, o tempo ocorre sem nada caracterizando ele, destas discussões foram surgindo as atividades”. “Tudo começou em pensarmos como as experiências educativas se dão nos espaços formais e não formais, para isso propomos que os alunos fizessem três diferentes observações, a primeira no câmpus, a segunda em praças e a terceira no Bosque dos Buritis”, completou Fernanda Veloso Lima, professora do PCC 2.

Helen Costa, discente do segundo período de Pedagogia, contou que a atividade que mais teve dificuldade foi a de observar uma praça por achar que não teria tempo e nem saber qual local observar: “Por estarmos sempre corridos, se não tivesse sido feita a proposta dessa atividade de observar com certeza eu não teria parado para fazer isso pela minha própria vontade, mas essa pausa me fez perceber que a observação é uma ação que tem um retorno muito grande, a gente passa a perceber o outro, a se colocar no lugar do outro. Quando a professora passou a atividade, eu fiquei pensando como faria isso porque trabalho o dia todo e estudo à noite, que horas iria observar essa praça, mas aí lembrei da praça que existe em frente ao meu serviço onde passo todo dia e indiretamente já observava, mas não observava de forma detalhada e nem o contexto. Ao observar a praça percebi que têm pessoas que passam e ficam ali por um determinado tempo, ficam uma semana ou duas. Antes eu olhava aquilo e não parava para refletir, mas após a fundamentação teórica sobre observação e a etnografia na antropologia, comecei a refletir e ver o contexto. Como a praça que observei fica perto de clínicas e hospitais e, apesar de existirem casas de apoio na cidade, pode ser que elas não sejam suficientes, então comecei a pensar, será que essas pessoas estavam ali por causa de um tratamento? Percebi que há um tempo atrás ficava uma família inteira com malas e cadeira de balanço na praça o dia todo e no final da tarde sumiam, ou seja, provavelmente iam procurar um lugar para repousar. Tem um casal que já vi umas três vezes nessa praça, eles ficam uns dois dias, dormem por ali e depois somem e semanas depois voltam. Parece que a praça é um lugar de trecho, que as pessoas passam por ali apenas. O que era somente uma atividade , fez com que eu mudasse o meu olhar em relação ao outro”.

“O espaço que se tornou referência para nossos estudos foi a praça, a praça que é ocupada, que as pessoas fazem piquenique, que tem apresentações culturais, que as pessoas se encontram. Nosso entendimento é que não somos donos da praça, mas temos o direito de estarmos na praça e esse convívio é benéfico e leva vida para os espaços. Recordarmos com os alunos a realidade do século XIX, época em que as pessoas precisavam ir à praça para ouvir música, e alis as pessoas acabavam se encontrando, conversando, interagindo, namorando. Entendemos que resgatar isso é importante para o pedagogo compreender a formação humana, a formação do cidadão, para ele poder atuar nesses espaços”, explanou o professor Alessandro.

Para Helen Costa, discente do segundo período de Pedagogia, as PCCs são essenciais para a formação do pedagogo: “No começo a gente fica com receio, tão atribulado na questão do tempo, da rotina muito corrida, em ter que vim na faculdade em pleno sábado fazer uma PCC que ainda dá o trabalho de procurar um lugar para observar, eu me perguntava: será que tem necessidade mesmo? Mas eu percebi que as PCCs são fundamentais para o curso de Pedagogia que tem como foco a formação do educador social porque por meio delas temos várias experiências e vivências que eu creio que se não tivesse fazendo essa PCC eu não teria. As coisas simples do dia a dia que você não conseguiria perceber, mas que ao se propor a observar esses espaços não formais de ensino percebe como eles podem lhe proporcionar conhecimento e fazer com que você leve esse conhecimento a outras pessoas”.

“Eu gostei muito dessa PCC, como estou no primeiro período ainda não tinha tido esse tipo de prática, com tantas vivências, tantas experiências, com o desempenho que tivemos. Eu acho que as PCCs são essenciais para a formação do educador social, para mim o diferencial do nosso curso são essas práticas, o aprendizado que vai além da sala de aula, só a nossa prática de convivência diária entre alunos e professores já é muito enriquecedora”, disse Pâmella Fernandes Araújo, aluna do primeiro período do curso superior de Licenciatura em Pedagogia.

 

Veja mais fotos da Semana Cultural das PCCs 1 e 2 na página oficial do câmpus no Facebook.

 

Comunicação Social/Câmpus Goiânia Oeste

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