Ir direto para menu de acessibilidade.

GTranslate - Tradução do site

ptenfrdeitesth

Opções de acessibilidade

Você está aqui: Página inicial > Servidor > IFG > Últimas notícias > Pesquisa de iniciação científica analisa construção do discurso no Whastapp e o uso de emojis
Início do conteúdo da página
PESQUISA

Pesquisa de iniciação científica analisa construção do discurso no Whastapp e o uso de emojis

Estudo mostra como a escolha de determinados recursos e palavras podem revelar sobre o perfil do usuário

Imagem de uma pessoa segurando celular. Na tela uma conversa de whatsapp com mensagens usando emojis
Pesquisa de iniciação científica mostra que uso dos emojis é influenciado pelo contexto social, cultural e até idade do usuário

Provavelmente você deve utilizar o Whatsapp no seu dia a dia para se comunicar. E entre as mensagens enviadas e recebidas, possivelmente estão os emojis – aqueles recursos visuais que estão disponíveis no teclado do aplicativo que representam sentimentos, emoções, objetos, culturas, profissões, entre outros. Você sabia que o uso desse recurso para construir sua mensagem de texto pode dizer muito sobre quem você é? Isso foi constatado em pesquisa de iniciação científica realizada por estudantes do curso de Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa do Câmpus Goiânia do Instituto Federal de Goiás (IFG).

O estudo, orientado pela professora Limerce Ferreira Lopes, intitulado Discurso e produção do sentido: uma análise multimodal de práticas interacionais no Whatsapp, busca investigar a construção do discurso no aplicativo de mensagens e como o uso dos emojis pode caracterizar os sujeitos inseridos nessa plataforma. Segundo a professora, a pesquisa tem por objetivo mostrar que a construção do discurso, mesmo que seja a partir de elementos semióticos, diz muito sobre esse sujeito. “O lugar em que ele está, a compreensão dele de mundo, a constituição dele enquanto sujeito social, fala muito a partir das escolhas que ele faz para constituir o seu discurso (texto) e porque ele escolheu determinados símbolos (emojis) em detrimento de outros”, explica.

A pesquisa tem como referencial o teórico russo Mikhail Bakthin, renomado pesquisador da área de linguagem. Bakthin fala sobre a construção do discurso entre os sujeitos e como eles se instauram na relação com os outros por meio do processo de interação verbal. Ao citar Bakthin, Limerce esclarece que as escolhas, as relações ideológicas e o discurso desses usuários são reveladas a partir da linguagem que produzem no ambiente do Whatsapp.

“Na verdade não é algo tão simples assim. Essas escolhas, elas são atravessadas por várias questões, como os interdiscursos: um conceito bem estudado dentro da análise de discurso. Porque nós, ao produzirmos o nosso discurso, nós trazemos outros discursos para construir esse nosso. Na verdade, nós não temos muita consciência disso. Isso acontece justamente porque somos seres sociais. A gente retoma de outro lugar, de outros discursos que foram ditos e então constituímos esse discurso a partir desses interdiscursos”, complementa.

Na pesquisa foram analisadas mensagens trocadas em grupos de Whatsapp que estão disponíveis em sites de domínio público. Foram estudadas duas situações: o emoji substituindo uma palavra ou expressão e outra em que o emoji substitui completamente o texto da mensagem. Em ambos os casos, o estudo constatou que o uso de emojis como componentes do discurso – ou seja, na constituição da mensagem – assim como sua compreensão dependem da relação dialógica entre quem envia a mensagem e seu público-alvo.

Por esse motivo, quando a comunicação no Whatsapp envolve pessoas de idades ou culturas diferentes (um jovem e um idoso, por exemplo), a compreensão corre o risco de ser afetada, pois a construção dos discursos pode envolver emojis e outros atributos cujos sentidos não fazem parte do contexto social dos interlocutores. “Realmente há essa relação sim. Se a gente for analisar grupos de Whatsapp em que é preponderante o número de jovens com maior frequência, a gente pode perceber que alguns elementos utilizados, a escolha de alguns emojis, as palavras que são utilizadas são bem característicos desse grupo de jovens, que tem determinada idade. Porque essas palavras, esses emojis estão caracterizando o lugar que esse sujeito está inscrito enquanto sujeito social”, detalha a docente.

Na imagem, percebe-se um pouco do contexto em que estão inseridos os interlocutores das mensagens: pertencem à comunidade acadêmica do Câmpus Goiânia do IFG e estão vivenciando o período de isolamento e distanciamento social chamado pelas autoridades para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. Além disso, eles fazem planos para quando tal situação acabar, para aproveitar os espaços que mais gostam no ambiente institucional
Na imagem de um grupo hipotético, percebe-se um pouco do contexto em que estão inseridos os interlocutores das mensagens: pertencem à comunidade acadêmica do Câmpus Goiânia do IFG e estão vivenciando o período de isolamento e distanciamento social chamado pelas autoridades para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. Além disso, eles fazem planos para quando tal situação acabar, para aproveitar os espaços que mais gostam no ambiente institucional

 

Ainda de acordo com o estudo, mesmo em um ambiente virtual, a língua não se distancia dos seus sujeitos sociais – isto é, de quem fala – e sua aplicação respeita as regras impostas pelos lugares de fala a que pertencem. Comparando com a linguagem corporal, “abster-se de certos gestos durante a fala oral poderá ser considerada falta de cordialidade. Em diálogos pautados por assuntos sérios, o uso de imagens animadas ou estáticas (emojis) poderá comprometer a objetividade proposta, já em um diálogo menos formal ou íntimo, notou-se uma utilização expressiva de recursos imagéticos (conforme mostra a imagem acima)”, demonstra a pesquisa. 

Limerce estende a análise também ao uso dos stickers, ou figurinhas, que ganham cada vez mais espaço em conversas no Whatsapp. “Com a possibilidade da figurinha a gente tem essa opção de substituir todo o discurso, porque a figurinha não altera ou substitui alguma palavra mas ela é o discurso. A linguagem semiótica que ela traz é muito considerável, ela diz muita coisa. Acho que sim, a produção de sentidos é muito parecida com o que a gente analisou nos emojis, mas acredito que ela é muito mais avançada no sentido de que ela constrói o sentido de forma muito mais ampla justamente porque ela substitui todo o discurso que está por trás dela a partir dos elementos semióticos que a constitui.”

A pesquisa teve o Whatsapp como objeto de estudo por se tratar de um dos aplicativos mais utilizados atualmente para comunicação. “ O que nos chamou mais atenção nessa escolha foi justamente os elementos semióticos que aparecem o tempo todo nas conversas de Whatsapp, no caso dos emojis. Eles representam muita coisa no universo da comunicação e em relação à construção do discurso. Creio que os emojis são muito utilizados e aceitos entre os usuários do Whatsapp porque é uma ferramenta que possibilita uma comunicação mais ativa, mais potente e rápida. Hoje em dia tudo está muito rápido, as relações, a comunicação, acontece tudo muito rápido, então o Whatsapp é uma ferramenta que facilita a nossa vida e a nossa comunicação”, finaliza Limerce.

Além da professora, o estudo envolveu também os estudantes do curso de Licenciatura em Letras do Câmpus Goiânia do IFG, Ademar Batista Lopes Santos, Katiele Ribeiro Oliveira e Thalia Marques Andrade.

 

Coordenação de Comunicação Social do Câmpus Goiânia

 

Notícias (Servidor)

Fim do conteúdo da página